segunda-feira, dezembro 20

Subindo o continente, virando à esquerda

Comprei a passagem para os EUA com desconto de estudante, já que vim estudar inglês. Por conta disso, no dia 12 de dezembro embarquei em Guarulhos e, ignorando todas as mudança de fuso-horário, levei umas 20 horas para chegar no destino final.

Para quem nunca veio pra esses lados de cá: antes do check in, um responsável por segurança da companhia aérea (no meu caso, United) faz várias perguntas sobre o conteúdo e quem arrumou sua mala. Imediatamente pensei naqueles filmes onde pessoas vão para países exóticos e, por engano, são trancafiadas em prisões no fim do mundo confundidas com traficantes. 

Pois bem, depois das perguntas respondidas com "nãos" recebi duas fichas: uma da alfândega e outra para entregar na imigração. Deixei o notebook para trás, minha câmera digital tem menos que 20 megapixels e  levei menos que 10 mil dólares na bolsa de mão (todo o dinheiro em espécie, dentro de um envelope - é o novo "guardar embaixo do colchão"), portanto não precisei declarar nada na primeira ficha que, mesmo assim, deve ser preenchida.

A segunda pede apenas seus dados pessoais, do passaporte, visto e endereço de onde você ficará em solo estadunidense. Inclusive acho que preenchi o número do vôo errado, mas isso foi ignorado pelo guarda para quem entreguei o papel quando desembarquei no primeiro aeroporto.


Fui de SP para Chicago - que me recebeu com MENOS 12°C de temperatura e neve vista apenas do alto. Lá, assim como na embaixada brasileira para tirar o visto, minha experiência com a imigração foi tranquilíssima. Dizem que nos aeroportos de Miami ou New York é mais complicado; não sei. Mais uma vez apresentei apenas a documentação da universidade da Califórnia. Da minha pasta rosa cheia de papéis e comprovações, nada foi pedido ou questionado.

Na alfândega perguntaram se eu levava comida comigo; "only chocolate". E assim segui para o raio-x, onde tive que tirar casaco e bota mas, por causa das pessoas gentis, sorridentes e sempre prestativas apesar do meu inglês tosco, foi menos desagradável do que imaginei que seria. De Chicago peguei um vôo doméstico para São Francisco e descobri de onde a Webjet tirou a sensacional idéia de vender a comida para os passageiros durante o trajeto. 

Em São Francisco me colocaram em um mini-avião com hélices nas asas e espaço para pouco mais de 20 pessoas. Aí descobri que realmente não tenho medo de voar. Meia hora (depois de milhões de horas) cheguei no aeroporto surreal de Sacramento onde suas bagagens ficam rodando em uma esteira na frente da porta de entrada e, se alguém quiser, pode levar antes mesmo de você chegar até lá. Mas pelo visto isso não costuma acontecer.

Tive muito receio de me confundir com as trocas de avião e perder as malas mas tudo foi absolutamente correto. Despachei em Chicago e elas chegaram comigo em Sacramento. E em todos os aeroportos as informações nos guichês sobre portões de embarque e como chegar até eles (às vezes até de trem) me deixaram menos tonta do que uma barata quando fica tonta.

De Sacramento foram 20 minutos de carro até Davis, onde passarei os próximos meses e sobre a qual falarei mais adiante.

Pergunta do dia: por que será que quando você menos quer conversar, além da antisociabilidade normal, pelo fato de não entender e muito menos conseguir responder na língua local, as pessoas, em TODOS os lugares, esbanjam simpatia e puxam assunto loucamente com você? Why?

9 comentários:

Roll Biscaia disse...

E o romance? O encontro? Porra a melhor parte não rolou aqui! BORING!

Ok. Meu nome é Carolina Biscaia e eu estou tendo surtos românticos de final de ano!

Pogre disse...

Uai?

Marcelo Martins disse...

A imigração do aeroporto de NY é horrível. Povo muito mal educado.

Juana Diniz disse...

isso vai virar um soterocalifornia? vou adorar!!! :)

Lua Nunes disse...

Papá...feliz por mais um passo largo que vc está dando. vou acompanhar tudinho dessa aventura maravilhosa. bjs

Mari Hirsch disse...

já estou amando o uso das palavras em inglês! você até poderia começar um mini-dicionário com as mais interessantes e o uso que deu a elas... viva o frio!!!! inferno é esse calor do mal que estamos passando aqui!!!
:)

Maria disse...

para que vc se abra ao novo.
essas pessoas tb querem conhecer gente nova e gostam justamente dessa troca.
Um beijo
Mafe

RAMON(ES) disse...

20 horas de viagem porque você já saiu de São Paulo, imagine se ainda tivesse saído de Salvador. Mas é bom saber que deu tudo certo na viagem. Agora é só curtir o lugar, o amor e se divertir no curso de inglês.

Quanto ao WHY as pessoas esbamjam simpatia... Por acaso a maioria das pessoas que te abardoram eram do sexo masculino? Se a resposta for sim, minha teoria é apenas o fato de você ser uma mulher bonita e não comum para os EUA. hehehehehehehe...

Maria Beatriz disse...

Papá... já adorei a primeira estória e já esperando as próximas.
Beijos.

Bia.