quarta-feira, agosto 17

64 quilos



Na noite de ontem, pela primeira vez desde que voltei dos Estados Unidos, abri as duas malas que trouxe de lá. E senti que minha energia foi completamente sugada. Foram quase 7 meses de coisas amontoadas e, juntas, pesando 32 kg em seus lugares determinados para a viagem, a mudança.

Tive que bagunçar tudo, tirar tudo de sua suposta harmonia compactada e inundar minha cabeça de lembranças. Em alguns momentos até senti o cheiro da casa e das ruas de Davis.

terça-feira, agosto 9

Doença

Ela sente tudo. Não só na cabeça e coração. No estômago, pulmão, na perna direita, nas duas mãos. Às vezes ela nem percebe que seu sentir provoca dores e sintomas parecidos com vírus, infecções e inflamações. Outras vezes ela se confunde pelo tal sentir e ignora bactérias e outros motivos fisicamente reais para preocupações. Ela cria labirintos, buracos negros e poços sem fundo dentro de si. E vez ou outra vira pelo avesso, se perde e é sugada para as profundezas do seu eu, sem encontrar um fim. 

A crise

Coisas que passam pela cabeça antes de voltar para SP:

- Pq vou fazer isso de novo?
- Será que vale a pena?
- Será que é a escolha certa?
- Pq vou fazer isso de novo?

Além de um filme de como foi a minha vida na cidade, em vários aspectos. O filme tem de tudo: drama, romance, suspense, comédia, questionamentos cult e até ficção científica.

E me sinto sozinha. E me sinto rodeada de gente. 

E sinto o estômago virar. E sinto o coração apertar.

Aí volto a pensar de novo: "será que vale a pena?".

Só dá pra saber tentando.

segunda-feira, agosto 8

Contagem regressiva


Faltam poucos dias para o meu aniversário de 30 anos e menos ainda para outro recomeço de vida.

Foram mais de seis meses na Califórnia e mais de um mês em Salvador. Talvez mais tempo do que deveria ter sido. Mas saber exatamente o que deveria ter sido está muito além das minhas habilidades de simples mortal cheia de defeitos e inseguranças.

Mas agora, assim como fiz no início de 2008, volto para a "cidade grande", a imensa cidade, sem nada. Nada da matemática básica: trabalho + dinheiro + casa = segurança.

terça-feira, julho 19

A minha roda viva



Dois turistas passaram o dia andando na linda San Francisco. Subiram e desceram ladeiras, atravessaram parques, passaram por ruas sinuosas, vistas panorâmicas, cafés aconchegantes e bairros interessantes.

Em um determinado momento, meio perdidos meio achados, resolveram pegar um ônibus e voltar ao centro da cidade, onde o hotel ficava, longe de onde estavam, perto de um ponto do mar que ainda não tinham encontrado. 

Do lado errado da rua decidiram pegar o transporte, sabendo que ele daria uma volta maior, para  aproveitar um pouco mais o passeio por ruas desconhecidas que levavam ao litoral.

domingo, julho 17

De onde vem a ficção

"Ela pensou muito. Mais do que o seu normal de pensamentos obssessivos e constantes.

Participou de conversas imaginárias, escreveu listas, desconstruiu teorias, reconstruiu sentimentos e traçou planos.

Finalmente ela começou a acreditar que o seu pensar poderia fazê-la feliz."

sexta-feira, maio 20

A novela do bacon

Camiseta Ilustrês de Rodrigo - foto de Biscaia

Ontem fui almoçar no meu restaurante preferido em Downtown: o Crepeville. E aconteceu uma das coisas mais surreais, e comuns por relatos de outros brasileiros que estão nos EUA: mesmo falando a palavra corretamente, com a pronúncia correta em inglês, não somos entendidos.

Nesse restaurante é possível montar seu crepe, escolhendo os recheios. Simples, muito simples. Comecei com: "cheese (queijo), ham (presunto), tomatoes (preciso traduzir?) and bacon". A garçonete não entendeu o último ingrediente. 

quarta-feira, maio 18

Só o Google salva

Esse post é bem informativo. Para quem quer descobrir uma forma de mudar o tipo de visto, estando no país estrangeiro.

Primeiro eu preciso dizer que, ou sou sortuda (o que seria bem estranho me conhecendo como conheço), ou realmente os órgãos de imigração dentro e fora dos EUA são mais simples do que muita gente disse que eram. Para mim, tudo aconteceu tranquilamente e tudo que pedi foi permitido - com os devidos pagamentos feitos, claro.

quarta-feira, maio 11

Quando criei asas de corrente

Acompanhando uma amiga que pela primeira vez veio conhecer minha casa, atravessei a rua e, num fim de tarde, fui até o parque.

Ele fica apenas do outro lado da rua e eu não consigo lembrar quantas vezes estive lá, de tão poucas que foram. Claro que com o inverno tudo ficava mais difícil, principalmente para alguém como eu que sofre com o frio.

Mas a primavera chegou e não faz pouco tempo. E a cada dia, assim como as ruas da cidade, o Community Park de Davis fica mais bonito.